Nama Jafari

poeta, tradutor, escritor, blogueiro e cineasta iraniano, hospedado na cidade-refúgio de Lillehammer, na Noruega

29/11/2016

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namajafari1Foto: Azadeh Shahsavar

 

“Se você seguir o rastro de sangue, alcançará ontem, hoje e amanhã”

 

1) Porque você teve que deixar seu país ?
Todos os dias em que sombras frias, em um pesado pôr-do-sol, ferem sua alma, você tem que deixar sua terra por uma outra e ser exilado numa outra língua. 
Fui preso várias vezes e torturado por meus escritos e participação nos protestos pacíficos em massa contra os resultados da décima eleição presidencial do Irã. Eu só tinha liberdade condicional enquanto estive livre, sob fiança. A última vez que fui ameaçado pelo regime islâmico do Irã, em agosto de 2013, decidi fugir do país. Vivi como escritor convidado da ICORN, em Lillehammer, Noruega de setembro de 2014 até setembro de 2016. Agora sou um artista independente, uma vez que meu tempo como escritor convidado terminou.

2) O que você está fazendo na cidade-refúgio que o acolheu ?
Se você olhar para o meu coração, você vê que ele está cheio de poemas não escritos. Se você olhar para minha mente, você vê que ela está cheia de filmes não rodados.
Sou editor-chefe da revista on-line Sepanj, “A voz da literatura independente do Irã”, desde novembro de 2007. Na revista, publico trabalhos de dissidentes iranianos que não escrevem, dentro do quadro limitado das revistas e jornais islâmicos do Regime do Irã. A maioria dos meus livros foram proibidos pelo regime islâmico do Irã. No entanto, tenho editado meus livros a serem publicados por editores iranianos fora do Irã, desde que cheguei na Noruega. O livro Beijos franceses (uma coleção dos poemas), cuja publicação foi proibida no Irã, foi recentemente publicada pela mídia de H&S, em junho de 2016. Alguns de meus poemas foram traduzidos para o norueguês, em colaboração com dois poetas noruegueses, e estou tentando traduzir mais poemas meus para o norueguês. Esses poemas serão publicados como em uma antologia. Recentemente, também dirigi meu primeiro documentário profissional, “Na busca daquela palavra solitária”, que foi apresentado no dia 26 de Maio de 2016 no Nortmund Litteraturfestival em Lillehammer. Tenho sido ativo numa série de atividades anti-censura, porque sempre acreditei que cada indivíduo deve ter o direito de liberdade de expressão e crenças. Esse direito exige que ninguém deve ter medo de ter suas crenças e todos devem ter acesso a todos os meios possíveis para receber e publicar informações e pensamentos, sem qualquer preocupação. Nesse contexto, o projeto mais recente que estabeleci na Noruega, em janeiro de 2015, e que é mantido até agora, é o projeto Filtercut. Filtercut é um site internacional, multi-linguagem, seguro para introduzir software anti-filtragem para os usuários da internet em todo o mundo, de maneira a fornecer a possibilidade de acessar informações gratuitas para todos.

3) Qual é a importancia da ICORN para você ?
Nosso mundo está cheio de monstros, monstros que são chamados humanos. Somos monstros que se atacam.
Uma das organizações que generosamente tenta fazer o melhor para abraçar cada profissional (poeta, escritor, jornalista, etc) que, em algum momento, tornou-se um não profissional, dando-lhes a oportunidade de viver sua vida novamente, é a ICORN.

4) Quais são seus planos ?
Serei enterrado um dia. O que sobrará de mim são aqueles sonhos que se transformam em poemas, filmes que foram feitos e esforços que fiz para defender a liberdade de expressão. Então, virei ao seu mundo.

namajafari2Foto: Azadeh Shahsavar

 

Biografia

O poeta, escritor e blogueiro iraniano Nama Jafari foi editor-chefe da revista online Sepanj, “A voz da literatura independente do Irã”, desde novembro de 2007. A revista publicou obras de dissidentes iranianos que não escrevem no âmbito das revistas e jornais relacionados com o regime da República Islâmica do Irã.

captura-de-tela-2017-01-09-as-12-50-15O primeiro livro de poesia de Jafari, Eu sou o filho engraçado de Picasso, foi um dos primeiros livros a ser proibido, durante o período presidencial de Mahmood Ahmadinejad. A maioria de seus livros tiveram a publicação posteriormente proibida pelo regime da República Islâmica do Irã, incluindo os livros Liberdade é o nome de uma menina com cabelos coloridos, Beijos franceses (uma coleção de poemas publicada pela H&S – ver foto ao lado direito) e Ayatollah Lapat (romance baseado em documentos de agressão sexual de prisioneiros, nas prisões da República Islâmica do Irã).

Nama Jafari publicou secretamente Assemblagem em confinamento solitário, uma coleção de poemas de protesto e manuscritos após a 10 ª eleição presidencial no Irã, em agosto de 2010. O livro foi reeditado pela Ketab Corp, em 2011. Uma antologia com seus poemas também foi publicada secretamente como um livro-áudio, intitulado Quebrando o cadáver da ferida.

Nama Jafari tem se envolvido numa série de atividades anti-censura, numa das quais ele é o líder do site Filternet, onde fornece instalações de software para os iranianos para que sejam capazes de passar a filtragem, proporcionando-lhes formas seguras de acesso à informação livre. Nama Jafari foi preso duas vezes por sua participação nos protestos pacíficos em massa contra os resultados da décima eleição presidencial do Irã, onde liderou ativamente o público e articulou slogans. A última vez em que foi ameaçado pelo regime da República Islâmica do Irã, em agosto de 2013, decidiu deixar secretamente o país.

Nama Jafari atualmente escreve para a revista online Tableau e também está trabalhando na um romance chamado O orgasmo absoluto, sobre a revolução sexual no Irã.

Nama Jafari chegou em Lillehammer em setembro de 2014 como o terceiro escritor convidado da cidade.

 

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