Mansur Rajih

poeta e ativista político do Iêmen

22/02/2017

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Foto: Signe C. Urdal, ICORN

 

E ainda eles cantam

O mundo é mais belo do que podemos imaginar
O mundo é um rio
o canto de um pássaro
e as árvores verdes
No leve movimento das folhas
uma música
Sonhos sem fronteiras
amor
manhã
as estações vêm

(tradução livre de “And Yet They Sing”, de Mansur Rajih)

Download the ITV original in english: ITVMansurRajihOriginal

1) Por que você teve que deixar seu país ?
Não deixei o meu país voluntariamente. Eu era um prisioneiro político e condenado à morte. Durante meu tempo na prisão, tornei-me objeto de uma campanha global para me salvar da morte e para minha libertação. Consequentemente, fui enviado para a Noruega, devido ao resultado dessa campanha. Vim do Iêmen para a Noruega, após uma longa campanha internacional. Eles me prenderam por eu ter exercido minha liberdade de expressão, vivendo numa ditadura, e por minha atividade no campo da luta pela democracia e pelos direitos humanos. Fiquei na prisão por 15 anos.

 

2) O que você fez quando chegou na cidade-refúgio da ICORN ?  
Quando cheguei, tive que tentar me estabelecer como um ser humano “normal”.

 

3) Qual a importância da ICORN para você?  
Para mim, Stavanger (cidade-refúgio na Noruega, que integra a rede ICORN) me deu a possibilidade de viver em segurança e a oportunidade de viver como um ser humano regular.

 

4) O que você está fazendo agora, após a residência da ICORN?  
Hoje tento viver minha própria vida como ser humano. Sou um escritor de poemas e de análises. Tento chegar ao povo e também tento o máximo que posso expressar o sentido criativo em meus escritos. Faço o que posso para me comunicar com as pessoas ao meu redor, aqui e em outros países. Continuo a lutar pela liberdade de expressão e pelos direitos humanos em todo o mundo, através de todas as ferramentas disponíveis para mim.

 

Esperança

Os que amo se foram
Mas o amor ficou
Meus amigos se foram
Mas a amizade ficou
O corpo se despede
Quando aprisionado desta forma –
Então o espírito
flama liberdade

(tradução livre de “Hope”, de Mansur Rajih)

 

 

Biografia

“Poesia é uma batalha pela liberdade, portanto é um evento para a vida toda.”

Poeta revolucionário e ativista político do Iêmen, em 1983, poucos dias depois de se casar, Mansur Rajih foi preso e condenado à morte por acusações de assassinato que nunca foram provadas. Após 15 anos de prisão, ele foi finalmente libertado, em 1998, após grandes campanhas em seu nome, pelo Amnesty International e pelo PEN Internacional, dentre outros.

Mansur foi direto da prisão no Iêmen para Stavanger, na Noruega. Durante sua prisão, seus poemas foram contrabandeados e impressos em jornais de todo o mundo árabe. Assim reconstruiu lentamente sua carreira profissional como poeta e suas atividades como ativista pró-democracia e pró-direitos humanos. Coleções de poesia bilíngues (árabe / norueguês) são continuamente publicadas (contendo também poemas secretamente escritos na prisão), como Horoskop: Fengsel? Horoskop: Kjærleik. (2000), Så langt borte: Så nær (2003) e Min brors smerte (2008). Mansur escreve e publica na imprensa árabe, dentro e fora do Iêmen.

Hoje, Rajih e sua família vivem em Stavanger, Noruega. Ainda impedido de voltar para casa, a Primavera Árabe representou uma enorme fonte de esperança e inspiração para Mansur, assim como muitos colegas exilados escritores e defensores dos direitos humanos da região do Oriente Médio. Mansur ansiosamente estendeu e intensificou seus diálogos com os combatentes da liberdade dentro do Iêmen, durante os levantes. Bem conhecida entre seus compatriotas, a voz de Mansur frequentemente se dirigia a milhares de manifestantes nas praças de Sanaa e em outras cidades iemenitas, enquanto ele declamava através do telefone do abrigo de sua cidade em Stavanger, acompanhado por uma foto sua, que era projetada nas grandes muralhas da cidade.

Rajih publicou inúmeras coletâneas de poesia, romances e ensaios e sua vida tem sido objeto de vários curtas-metragens. Dentre alguns de seus trabalhos publicados, estão: Texto Memorial à Vítima Desconhecida, Fora da Prisão, dentro do Corpo, Vida Condicional, De lá.  Foi escritor convidado pela cidade-refúgio de Stavanger, de 1998 a 2001.

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Mansur Rajih lê um poema com Maria Aano Reme em evento da Amnesty International na Noruega em 2010. Foto: amnesty.no

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