Mamon Ali Jabari

escritor e jornalista sírio, hospedado na cidade-refúgio de Levanger, na Noruega (2014-2016)

26/02/2017

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MamonnJabaryShams
Foto: Shams Jabari

1) Por que você teve que deixar seu país de origem, a Síria ?
A guerra na Síria começou entre o regime e o povo, que exigia direitos civis. O regime usou a repressão excessiva para acabar com a revolta. Naturalmente, fiquei ao lado do povo que reagiu, e escrevi sobre as violações do sistema, o que levou o regime a me prender. Quando saí da prisão, a guerra se transformou num conflito armado entre o regime e os grupos islâmicos radicais. Fui ameaçado por ambas as partes, porque nenhuma das partes quer que a verdade seja escrita. Foi por isso que fugimos da Síria.

2) Quais foram suas atividades na cidade da ICORN que o recebeu ?  
Participei de algumas das atividades culturais organizadas pela cidade.

3) Qual a importância da ICORN para você ?
ICORN me salvou, bem como minha família. Depois da nossa saída da Síria, vivemos uma situação muito ruim na Turquia, onde estávamos quase deslocados e o futuro da família ia ao sabor do vento.

4) O que você está fazendo agora, após a residência da ICORN ?
Agora temos um problema real, uma vez que a ICORN não tem permissão para garantir trabalho para mim e que a ICORN não pode exercer pressão sobre o município onde eu vivo para me garantir um trabalho, no campo cultural. Então, minhas opções são: ou deixar a escrita e procurar qualquer trabalho para a segurança da família, para que possamos viver num bom nível, ou recorrer à Fundação de Segurança Social, que oferece um salário suficiente para viver de maneira mais simples. Tentei, por exemplo, trabalhar em fazendas, ou com serviços domésticos. A situação se torna muitas vezes desesperadora e frustrante. Mesmo com relação aos escritos que realizei nos últimos dois anos, não consigo encontrar uma forma de apoio para as despesas de impressão e publicação.

 

Biografia

Mamon Jabari é escritor e jornalista sírio. Concentrando-se particularmente na dinâmica política na Síria e documentando violações de direitos contra jornalistas e o pessoal da mídia, o trabalho de Jabari reenvia à manifestação de protestos que acabaria levando à atual guerra civil. Ele foi destaque em várias publicações, em vários jornais árabes e internacionais, principalmente em Eneb Baladi, Hinta e Yassari. Publicou uma coletânea de contos intitulada We (Damascus 2010). Desde o início da guerra, Jabari tem sido alvo de ataques dentro e fora da Síria, recebendo ameaças e assédio de partidários pró-governo e forças de segurança, com a intenção de silenciar suas investigações sobre o conflito. Em junho de 2013, saiu do país e procurou refúgio em Istambul. Mamon Jabari foi escritor convidado na cidade-refúgio de Levanger, de 2014 até 2016.

Desde sua chegada em Levanger, Jabari organizou uma coletânea de contos, que foram traduzidos para o norueguês. Também publicou uma série de artigos, com foco em democracia e liberdade de expressão, que apareceram em jornais noruegueses e árabes. Recentemente, Jabari finalizou um romance em árabe, que será posteriormente traduzido para o inglês e para o norueguês. Também tem colaborado com uma escola cultural em Levanger, em apoio à preservação da cultura.

Atualmente, Jabari está trabalhando na conclusão de uma exposição, reunindo literatura e arte, em forma de conto e um mural, que será exibido em três comunas, na cidade de Levanger.

soiree maison poesie - 1
Mamon Ali Jabari participa da Noite Síria da Maison de la Poesie em Paris, 2016. Com: Maram al-Masri & Samar Yazbek accueillent Najati Tayara, Mohammad Habeeb, Mohamad Abdul Moula & Mamon Ali Jabari. Foto: Lia Krucken

 

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