Jude Dibia

escritor e ativista convidado na cidade-refúgio de Malmö, na Suécia
28/07/2016
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jude-dibiaFoto por Fredrik Elg

CABRA:  Por que você teve que deixar seu país?
Em janeiro de 2014, o governo nigeriano aplicou uma lei das mais draconianas contra os homossexuais e os LGBTIQ. O governo nigeriano travou ativamente a mais nociva das guerras contra os direitos dos indivíduos, não apenas do grupo LGBTIQ, mas contra grupos de defesa e indivíduos que apoiam os direitos dos LGBTIQ na Nigéria. A lei condenou a14 anos de prisão as pessoas LGBTI e a 10 anos os grupos de defesa e indivíduos que apoiam a causa dos LGBTIQ.

Como escritor, fui um dos primeiros a abordar o mito de que as pessoas LGBTIQ não existem na Nigéria. Minha escrita tem sido objeto de controvérsia e, de certa forma, proibida na Nigéria, e também o fato de ser gay me colocou em grande risco. Deixei meu país num imposto ato de auto-exílio, não só para salvar a mim mesmo, mas também para chamar mais atenção para a violação dos direitos humanos que está ocorrendo ali. Eu não teria sido capaz de fazer isto, se tivesse ficado pra trás.

CABRA:  O que você está fazendo na cidade ICORN onde você está vivendo agora?
Eu continuei a escrever. E também uma nova plataforma para trazer uma maior sensibilização para as questões LGBTIQ no meu país e no continente africano me foi oferecida. Muitas vezes, outras questões do mundo ofuscam questões igualmente importantes, como a situação dos LGBTIQ africanos que são perseguidos e, em alguns casos, diariamente mortos por causa da sua sexualidade. O mundo reage quando, por exemplo, um gorila é morto a tiros em um jardim zoológico, depois de agarrar uma criança, ou quando um cidadão americano mata um leão no Zimbabue, mas quando um gay é morto, ou quando os homossexuais são perseguidos e discriminados na Nigéria, ou em outros países africanos, o mundo permanece em silêncio. É preciso chamar atenção para isso, para o fato de que toda vida é importante.

CABRA:  Qual a importância da ICORN para você ?
A ICORN representa um importante refúgio para escritores e artistas que já não podem trabalhar em seus países, devido a iminentes ameaças às suas vidas. A ICORN reconhece a importância das vozes dissidentes, como indicam os escritores e artistas que foram ajudados a se realocarem, escritores e artistas que desafiam os governos corruptos ou perigosos e as políticas que ameaçam os direitos humanos fundamentais dos indivíduos, em seus países. A ICORN entende que escritores e artistas devem ser protegidos, que não somos apenas escritores e artistas, mas também ícones culturais importantes.

CABRA:  O que você vai fazer depois da residência com ICORN ?
Pretendo continuar meu trabalho de defesa aqui na Suécia, especialmente porque a lei contra LGBTIQ está ainda em vigor em meu país, e pretendo também continuar minha carreira como escritor. Malmö, a cidade-refúgio onde estou, é muito favorável aos escritores e artistas do programa ICORN e nos ajuda a nos ajustarmos e a nos integrarmos bem na nova sociedade, durante nossa residência. Dessa forma, se temos a intenção de ficar, eles garantem que possamos prosseguir na direção correta para consegui-lo, aconselhando-nos da melhor forma.

 

jude-dibia-workFoto tirada por Fredrik Elg, da ICORN na Suécia, em Malmö com as palavras suecas “Fristad – din stad, vår stad, min stad”, que significam “paraísos seguros – sua cidade, nossa cidade, minha cidade”.

Biografia

Jude Dibia é autor e ativista pela igualdade de direitos na Nigéria. É autor de três romances de sucesso e de uma série de contos, que foram fazem parte de antologias e revistas locais e internacionais. Foi também vencedor, na categoria prosa, do Prêmio Wiwa Ken-Saro, em seu país natal.

Em 2005, quando seu romance de estréia, Walking with Shadows (Caminhando com sombras), foi publicado, os direitos e liberdades dos indivíduos LGBTI, em seu país, estavam sob fiscalização extrema, com a legislação nigeriana pressionando para que fossem atribuídos castigos e leis mais duras de proibição ao homossexualismo. Walking with Shadows foi ousado, porque abordou o tema dos homossexuais na Nigéria, denunciando alguns dos abusos que eles sofrem. Jude Dibia continuou a escrever sobre esses abusos de pessoas LGBTI na Nigéria, em seus contos.

Com a aprovação da lei contra o casamento homossexual na Nigéria, em janeiro de 2014, Jude Dibia tomou a decisão de deixar o país, antes de se tornar alvo, em razão de seus escritos, e de ser julgado pela lei que criminaliza a homossexualidade.

Jude Dibia é o atual escritor convidado, na cidade-refúgio de Malmö, na Suecia.

Para saber mais visite o blog de Jude Dibia: http://judedibia-jd.blogspot.de

Os livros de Jude Tibia podem ser encontrados na Amazon e na Lulu.

 

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