Faraj Bayrakdar

jornalista e poeta sírio

10/02/2017

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Foto: ICORN

1) Por que você teve que deixar seu país ?
Fui preso por 14 anos, de 1986 a 2000. Depois, fiquei na Síria até 2005. Durante esses 5 anos, tive muitos convites para ir à Europa. Em 2005, fui convidado para Estocolmo pela ICORN. Depois de dois meses, 300 escritores sírios e libaneses assinaram uma “declaração Beirute-Damascus”, que pediu ao regime de Assad que retirasse suas tropas do Líbano. Esta ação colocou-me novamente na lista dos procurados. Por isso, decidi ficar na Suécia.

2) O que você fazia na cidade-refúgio que o acolheu ?
Assisti a muitos seminários, lecionei e li meus poemas na Suécia, além de participar na maioria dos festivais literários europeus. Obviamente, graças à ICORN e ao Pen da Suécia. Mesmo assim, o mais importante foi a tradução para o sueco de meus escritos sobre a experiência da prisão, em primeiro lugar. Na verdade, essa coletânea não foi publicada em árabe até o final de 2005, após a retirada das tropas de Assad do Líbano. Antes disso, todos os editores árabes se recusaram a publicá-la. Felizmente, a tradução para o sueco foi a razão pela qual o Pen da Suécia me concedeu o Prêmio Tucholsky, que concedem todos os anos a um escritor perseguido. Em seguida, o livro foi interpretado nos palcos, na Suécia e na Itália.

3) Qual a importância da ICORN para você ?
Em uma palavra, a ICORN me concedeu uma chance para uma nova vida confortável e plena, cheia de possibilidades para atividades multiculturais. Minha vida e meu futuro eram limitados e semi-encerrados na Síria. Aqui, no entanto, não tenho tempo suficiente para responder a todos os convites e atividades ao longo da Europa. A ICORN foi uma verdadeira salvação para mim.

4) O que você esta fazendo agora, depois da sua residência na ICORN?
Ganhei muitos prêmios como escritor. Agora sou um escritor em tempo integral. Alguns de meus escritos são interpretados no teatro e alguns deles são transformados em musicais e em documentários. Tenho desenvolvido algumas atividades e participações para o apoio dos assuntos sírios, no âmbito humanitário e democrático.

Biografia
Faraj Bayrakdar é jornalista e poeta sírio, com várias premiações. Em 1987, foi preso por suspeita de pertencer ao Partido Comunista. Foi mantido incomunicável por quase sete anos e foi torturado. Em 1993, o Tribunal Supremo o condenou a quinze anos de prisão. Quatorze meses depois de completar a sentença de quinze anos, Faraj Baryakdar recebeu anistia. Pode-se ler aqui a declaração que ele fez para a imprensa, após sua liberação. Foi escritor convidado pela cidade-refúgio de Estocolmo, na Suécia.

Para saber mais sobre Faraj Bayrakdar e sua obra, assista também o vídeo (em inglês com legendas em italiano) em entrevista por Joshua Evangelista ao frontiernews.it, uma iniciativa internacional de jornalismo narrativo:  http://frontierenews.it/2016/09/siria-faraj-bayrakdar-poeta-carceri-assad/

 

Para saber mais sobre o trabalho de Faraj Bayrakdar e de outros escritores em “resistência criativa” (título da Assembléia da ICORN realizada em 2015 em Amsterdã)  acompanhe também o blog fiodeaguadotexto:  https://fiodeaguadotexto.wordpress.com/2015/05/31/falando-com-as-paredes-2/

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