Erol Ozkoray

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escritor e jornalista político turco hospedado na cidade refugio de Växjö na Suécia
30/06/2016

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CABRA: Por que você teve que deixar seu país?
Escrevi um livro sobre a revolta Gezi de 2013: Fenômeno Gezi. Fui condenado a 11 meses e 20 dias de prisão, em 2014, sob alegação de que insultei o primeiro-ministro da época, Recep Tayyip Erdogan, com o grafite anônimo que está reproduzido no livro. O sistema de justiça tornou-se totalmente arbitrário, porque veio sob o controle do presidente Erdogan, em 2014. Tornou-se impossível escrever e publicar livros na Turquia, depois desse evento. Esta é a razão pela qual deixei o país sem retornar, em 5 de Julho de 2015. Tive que fechar a editora “Idea Politika”, que possuía na época.

CABRA: O que você está fazendo na cidade da ICORN onde você está morando agora?
Escrevo artigos na cidade onde moro (Växjö, na Suécia), para informar e influenciar as autoridades suecas e europeias sobre o que esta acontecendo na Turquia. Eles são publicados em jornais suecos, franceses e austríacos. Também participo de programas de TV, na França. No momento, meu livro Gezi Phenomenon está sendo traduzido para o sueco e vai ser publicado no final do ano. Também dou conferências em várias cidades da Suécia e da França sobre os temas “Sistema, regime e estado na Turquia” e “Liberdade de expressão e da imprensa na Turquia”. Proferi dez conferências, até agora. Elas geralmente ocorrem nas universidades e bibliotecas, em diferentes cidades da Suécia. Graças ao programa da ICORN, pela primeira vez comecei a escrever ficção e estou escrevendo uma trilogia. É um romance inspirado em minha vida, que começa em 1953 e chega aos nossos dias. Trata-se de um projeto antigo, mas que renasceu com a ajuda do programa da ICORN .

CABRA: Qual a importância de ICORN para você ?
A ICORN é um projeto incrível que protege a sanidade de intelectuais, escritores, jornalistas, bem como tem tornado possível sua reabilitação, garantindo a criatividade. Todo isso é muito importante, porque a maioria das pessoas desse programa passou por traumas em seus próprios países. A ICORN os ajuda a voltar à vida e ao trabalho. Em poucas palavras, a ICORN resgata pessoas. Quando você salva um ser humano, você salva toda a humanidade. Estas são pessoas que arriscam suas vidas por outras pessoas, uma categoria de pessoas bastante interessante e rara.

CABRA: O que você vai fazer depois da residência da ICORN ?
Voltar para o meu país de origem não é uma opção possível para mim. Sou um europeu, nascido em Istambul. A Europa Ocidental é meu território cultural. Sinto-me em casa em todas as cidades e países, por aqui. Passei muitos anos na França, desde 1973. Mas a descoberta da civilização sueca foi algo incrível para mim e para minha esposa. Estamos muito impressionados com a abertura, a humanidade e a igualdade dessa sociedade ocidental, que é das mais progressistas. É por isso que estamos tentando planejar uma vida que irá abranger França e Suécia. Nosso objetivo é viver nesses dois países. Sem a ICORN, não poderíamos ter a oportunidade de conhecer tão bem os suecos.

 

Biografia
Nascido em 1953, em Istambul, Erol Özkoray é escritor político bilingue (francês e turco), conhecido por ter previsões precisas. Em sua busca pela democratização e adesão da Turquia à UE, seus pontos de vista, opostos ao governo islâmico e ao papel dos militares na política, o levaram a ser perseguido, totalizando dezoito perseguições, desde o ano de 2000. Este é um número recorde de processos judiciais contra um intelectual, na Turquia.

Estudou na escola francófona Galatasaray, em Istambul, e depois se formou em Ciência Política e Sociologia da Educação, em Paris. Tornou-se correspondente, em Paris, do maior jornal da Turquia, Hurriyet. Foi premiado com a melhor entrevista pela Contemporary Journalism Association, em 1983. Trabalhou como correspondente da Agence France Presse, em Istambul e Ancara, e também como correspondente turco do jornal espanhol El Pais. Publicou uma revista de cultura democrática e política, Idea Politika, de 1998 até 2002.

Em sua batalha intelectual com os militares turcos, sobre a democratização e a perspectiva da adesão da Turquia à UE, em 2000, Özkoray enfrentou dezesseis processos judiciais, que chegariam a um total de cinquenta anos de prisão. Sua revista foi fechada uma vez, recolhida duas vezes. Foi absolvido de todas essas ações, em que o chefe do Estado Maior era o litigante.

O website da Revista Idea Politika foi o primeiro site de notícias digitais que foi encerrado com base nas leis de imprensa, sob ordem do chefe de gabinete, İlker Başbuğ . A agência de comunicação, fundada por Ozkorai, em 1990, teve de ser fechada, em 2004, sob pressão do governo. Depois de ter sido testemunha contra o chefe do Estado Maior, Hüseyin Kıvrıkoğlu, em uma ação judicial, em Paris, que um militar turco abriu contra a associação Repórteres Sem Fronteiras, Özkoray enfrentou uma campanha de linchamento pelo maior grupo de mídia da Turquia (o grupo de mídia Dogan, que também publicava Hurriyet). Ironicamente, teve que lutar contra a imprensa, defendendo a liberdade de expressão.

Nos anos de 2005 e 2006, Erol Özkoray foi colunista do jornal curdo Özgür Gündem. Também escreveu artigos para o Liberation, Politique Internationale e Les Echos, e fundou a editora Idea Politika, em 2012. Foi premiado com a Medalha de Coragem, pelo Conselho Francês da Coordenação das Organizações Armênias, sob os auspícios do prefeito de Paris, Bertrand Delanoe, por seu trabalho sobre o reconhecimento do genocídio armênio pelo governo turco. No momento, ele é um dos escritores da Nouvelles d’ Arménie, revista publicada na França. Na Turquia, ele recebeu o “Prêmio de Liberdade de Pensamento e Expressão”, pela Associação de Direitos Humanos, em 2014.

 

Livros publicados:

livro turquie

Turkey: A Totalitarian Farm  (2006, Belge Publishing),

What is the army for? Kafkaesque Lawsuit (2007, Belge Publishing)

Turquie: Le Putsch Permanent ( 2010 Edition Sigest-Paris)

5. Republic (Idea Politika Publishing, 2012),

Individualism and Democracy: Gezi Phenomenon (2013, Idea Politika Publishing)

 

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