Elaye Rahronya

escritora, artista visual, performer e cineasta iraniana hospedada na cidade refúgio de Stavanger na Noruega

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05/07/2016

elahe 2.jpgFoto: cortesia da ICORN.

CABRA: Por que você teve que deixar seu país?
Tive que deixar meu país para encontrar mais possibilidades de lutar contra o regime islâmico do Irã. Não poderia ficar lá e desenvolver qualquer atividade contra eles. Eu tentei, mas fiquei presa e, em seguida, tive que sair.

CABRA:  O que você está fazendo na cidade da ICORN onde você está vivendo agora?
Hoje eu faço as coisas pelas quais tive que deixar meu país para continuar a fazê-las. Escrevo livros e faço arte, como sempre. Mas levei tempo, cerca de dois anos, para me estabelecer aqui e aprender a língua norueguesa .

CABRA:  Qual a importância da ICORN para você ?
Para minha vida, a ICORN teve um papel muito importante. Eu vim para uma terra que quase não tem problemas econômicos, não tem grandes desafios políticos e não está em crise. E isso significa que não é a mesma situação que em outros países. Mas, apesar dessa nova situação, não é fácil ser refugiada, escritora e feliz ao mesmo tempo, mesmo na Noruega. A maioria dos escritores não pode continuar a exercer a escrita, porque ser escritor significa identidade, personalidade e toda uma vida, para muitos de nós. A maioria dos escritores não pode usar um pouco de seu tempo para escrever e muitas vezes tem que trabalhar para ter o dinheiro suficiente para viver, com mais pressão, perdas, e com problemas linguísticos e culturais. Agora você pode imaginar como pode ser isso em uma terra como o Brasil.

CABRA:  O que você vai fazer depois da residência da ICORN ?
Felizmente, eu encontrei um homem norueguês agradável e vivemos juntos, há dois anos. É por isso que pude ter mais possibilidades de continuar como escritora ativa e artista, durante esse curto espaço de tempo. Agora vou estabilizar a minha vida na Noruega e trabalhar em meus projetos, como antes. O que estou tentando explicar a você é que convidar as pessoas para uma outra terra não é suficiente para ajudá-las. Algumas vezes, isso pode prejudicar, mais do que ajudar. Devemos pensar sobre o que será possível para eles fazerem, depois disso. Espero ter sido útil para você.

 

Biografia

Elahe Rahroniya é escritora iraniana, artista plástica, performer e cineasta. Seus textos, filmes e projetos de arte são severamente críticos ao regime do seu país de origem. Em 2010, como resultado de vigilância, ameaças e interrogatórios agressivos, Elahe fugiu para a Malásia, com medo de represálias.

Rahroniya publicou duas antologias de poesia, um romance e uma série de ensaios críticos no Irã, bem como inúmeras outras obras que não foram aceitas para publicação em seu país. Sua primeira antologia de poemas, Leilaobali, foi publicada em 2001, em Teerã, pela Paya Publishers, seguida de seu primeiro romance, The King of Yellow Rose, publicado em 2007, pela Editora Markaz. Sua segunda antologia de poemas, The Sale Advertisement of Turkmen Horse, foi publicada em 2010. Continuou a escrever poesia, romances, contos e livros infantis, desde que deixou o Irã, e traduziu uma série de obras, que foram todas censuradas.

Rahroniya tem um BA em Tradução Inglesa pela Universidade Islâmica Azad, do Teerã, e uma licenciatura em Design de Interiores, pela Faculdade de Belas Artes, da Universidade de Teerã. Além de sua produção literária prolífica, ela vem trabalhando com projetos de arte conceituais e cinema, dentre documentários e filmes artísticos, cheios de referências simbólicas. Seu último projeto, Synthesis of a Trash Bin, trouxe-lhe problemas com o governo, e assim ela chegou em Stavanger City of Refuge, como escritora convidada, em 2013.

Saiba mais no site da artista: https://elaherahroniya.com/about/

 

Assista a entrevista realizada em 2015 pelo canal Arte (em francês), na qual ela apresenta a cidade de Stavanger:

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http://www.westendtv.com/arte-metropolis-stavanger/?lang=en

 

 

 

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