Basim Mardan

Escritor, dramaturgo e tradutor iraquiano, foi hospedado na cidade-refúgio de Skien (Noruega), de 2006 a 2008. Atua como pesquisador no PEN International desde 2016.

28/11/2016

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Foto: ICORN

1) Porque você teve que deixar seu país ?
Saí do Iraque em 2006, um dos piores anos da guerra sectária. De acordo com muitas fontes, 26 mil iraquianos morreram naquele ano. Estava particularmente em perigo com as autoridades civis iraquianas e com as forças dos EUA, devido a meu trabalho como tradutor / intérprete e também por meu trabalho numa ONG de direitos civis chamada “Diálogo e Desenvolvimento”. Também fiz uma publicação independente de um livro de poemas que foi considerado ousado e ofensivo, pelos militantes islâmicos radicais. No nível pessoal, estava particularmente em perigo em Mossul, cidade predominantemente sunita, sendo de uma família mista: meu pai é xiita e minha mãe é sunita.

2) O que você fazia na cidade-refúgio que o acolheu em 2006?
Durante a minha residência da ICORN, em Skien / Noruega, minha prioridade foi aprender a língua norueguesa, estabelecer-me e retomar minhas atividades como tradutor, ativista de direitos humanos e escritor, sem medo de ser assassinado nem perseguido. Recebi muita ajuda da comunidade de acolhimento para propiciar a mim e à minha família o básico para suprir as necessidades de nossa vida diária e todo o tipo de apoio moral e material de que precisávamos para iniciar uma nova vida na Noruega.

3) Qual é a importância da ICORN para você ?
Quase tudo. Eu não estou exagerando, quando digo que o trabalho da ICORN foi fundamental para me dar uma nova vida com um vários potenciais, sem esquecer de uma vida segura para mim e para minha família! Essa oportunidade me forneceu magníficas plataformas para expressar livremente minhas opiniões e contribuir ativamente para o grande trabalho realizado pela ICORN, ajudando outros escritores perseguidos, através de meu trabalho com eles como intérprete e consultor.

4) O que você fez depois dos 2 anos de residência ?
Quando a residência na ICORN terminou, continuei a viver na Noruega, continuei a estudar o norueguês e obtive o reconhecimento da minha licenciatura anterior em tradução, pela universidade de Oslo. Minha esposa fez o mesmo e obteve um mestrado em engenharia química na universidade de nossa cidade de acolhimento. Trabalhei em várias cargos na Noruega até me mudar para Londres, em julho de 2016, para integrar a equipe de proteção do PEN Internacional.

 

Biografia

Basim Mardan é escritor, dramaturgo e tradutor do Iraque. Possui diploma de bacharel de Tradução e Linguística, do árabe para o inglês e do inglês para o árabe. No Iraque, trabalhou como intérprete para a autoridade civil em Mossul, publicou um livro de poesia e escreveu vários artigos para jornais locais, juntamente com seu envolvimento com ONGs da sociedade civil, como tradutor / editor e consultor, para promover a democracia e os direitos humanos no Iraque.

Basim Mardan foi escritor em residência da ICORN em Skien, na Noruega, de 2006 a 2008, tendo ali permanecido até julho de 2016, quando se juntou ao PEN International, em Londres, para trabalhar no escritório de Proteção dos Escritores em Risco.

Durante sua residência na Noruega, Basim Mardan publicou poemas e contos em inglês e norueguês, continuando com sua constante participação em eventos e festivais literários. Também colaborou como tradutor de vários escritores da ICORN e trabalhou como tradutor / consultor freelance para a ICORN, desde 2009.

Nascido em Mossul, no Iraque, em 1976, Basim A. Mardan estudou Tradução e Linguística na Universidade de Mossul e licenciou-se em 1999. Começou a escrever poesia e publicou seu primeiro livro de poesia enquanto ainda era estudante universitário. Mardan foi processado e forçado a queimar todas as cópias de seu livro, para poder voltar aos seus estudos, mas posteriormente, em 2003, reeditou seu livro, após a queda do regime no Iraque.

Em julho de 2016, Mardan começou a trabalhar como pesquisador e escritor no Risk Protection Officer, para o PEN International em Londres. A história de Basim pode ser encontrada no Boletim de Inverno de 2006 e no site do PEN da América. Leia também seu testemunho sobre sua perseguição e sobre sua residência na ICORN.

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