Ali Kalaei

jornalista, blogueiro e ativista dos direitos humanos iraniano, hospedado na cidade-refúgio de Eskilstuna, na Suécia
02/11/2016

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Foto: Carina Alander

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1) Por que você teve que deixar o seu país ?
Muitas pessoas deixam o seu país, e cada uma delas tem uma história. Algumas delas escolhem emigrar e outras são forçadas a se mudar. Acho que fui obrigado a sair do meu país. Essa decisão foi uma longa história. Fui preso cinco vezes por várias forças de segurança no Irã (Polícia, Ministério de Inteligência e Inteligência do Exército), passei quatro meses em detenção, por parte de diferentes agências de segurança, e mais dois meses em confinamento solitário. Cheguei a ser condenado a sete anos de prisão pelo Tribunal Revolucionário Islâmico de Teerã. Sofri várias acusações, como “recolher informações com a intenção de cometer crimes contra a segurança nacional e propaganda contra o regime”. Outra razão foi o fato de ter ingressado na organização de ativistas dos direitos humanos, chamada Comissão de Repórteres dos Direitos Humanos, e de ter publicado meus artigos em diferentes mídias farsi. Parece que ser ativista dos direitos humanos, defender a ideia dos direitos humanos e pedir a liberdade e a igualdade (dois direitos humanos fundamentais) é ofensivo, no Irã.
Quando fui informado sobre o veredito, tinha duas diferentes escolhas: ir para a prisão e passar pelo menos sete anos lá (porque havia uma possibilidade de aumentar o veredito), ou deixar o Irã e escolher a vida no exílio. Escolhi a segunda opção e deixei o Irã. Além disso, deixei o país porque acreditava (e ainda acredito) que, do exterior, posso ser mais eficiente para lutar pela liberdade, a igualdade e a justiça no Irã.

2) O que você esta fazendo na cidade-refúgio onde mora ?
Estou continuando meu ativismo como jornalista iraniano e ativista de direitos humanos aqui. Além disso, estou escrevendo dois livros diferentes, que ainda precisam de muito trabalho. Sou também, desde março de 2014, o secretário social da revista mensal iraniana, dedicada à questão dos direitos humanos em farsi (chamada KhatteSolh ou Peace Mark) para ativistas dos direitos humanos no Irã. Além disso, estou escrevendo diferentes relatórios e artigos, faço entrevistas com várias pessoas com foco, sobre questões de direitos humanos no Irã. Concentro-me no Oriente Médio e no Irã.
Considero-me como um cidadão do Irã, do Oriente Médio, da Ásia e da Terra. Além disso, peço aos funcionários daqui para me darem a possibilidade de participar das diferentes atividades da cidade. Acho que devo isso à cidade de Eskilstuna, na Suécia. Estou tentando fazer a minha parte.

3) Qual a importância da ICORN para você ?
Tive uma longa jornada, desde o dia em que deixei o Irã até chegar aqui. Para mim, a ICORN significa calma, redução do stress e da tensão, possibilidade de planejamento a curto prazo e a longo prazo para o futuro. Estava na Malásia e na Turquia e posso comparar minha situação lá e aqui. Há uma enorme diferença entre a possibilidade de se planejar para viver o próximo ano e a não possibilidade de se planejar para viver pelo mesmo período. Isso traz uma grande mudança de olhar para a vida, o futuro e a forma de pensar. Além disso, a ICORN proporciona o contato com uma grande rede e permite o acesso a diferentes pessoas de várias nacionalidades, em situações semelhantes.

4) O que você vai fazer depois de sua residência na ICORN ?
É uma boa pergunta. Cada país tem regras diferentes para os escritores convidados pela ICORN. Há uma possibilidade aqui, na Suécia, de conseguir a residência permanente, desde que você possa provar uma certa renda mensal. Além disso, estou procurando um emprego com salário fixo e continuando minha educação aqui. Mas acho que um artista, um escritor ou um jornalista convidado tem um carácter efetivo no desenvolvimento cultural de cada cidade ou país. Escritores convidados pela ICORN são estudiosos e intelectuais. Podem ajudar ao povo da cidade e do país a ter uma melhor compreensão de diferentes partes do mundo. Acho que os países precisam dessas pessoas e não é certo e justo que eles tenham que se preocupar com seu futuro. Eles estão vivendo no exílio. Estão vivendo no exílio por causa dos valores globais e humanos que podem fazer nosso mundo melhor, mais humano e mais habitável. Sem essas pessoas que correram o risco de lutar pelos valores humanos, nosso mundo teria um rosto feio.
Mais um ponto: quando você está trabalhando com palavras, o mundo em torno de você ganha mais importância. Mas agora estamos vivendo na era da mídia alternativa, mídia com que os Estados autoritários não podem lidar a longo prazo. Esses meios podem fazer de “cada cidadão” uma mídia capaz de desenvolver a consciência pública. Além disso, devo dizer uma coisa sobre a vida no exílio, aqui. A magia de acesso e de conhecimento de línguas dá-nos a possibilidade de estamos ligados e de fazermos conexões com pessoas diferentes partes do mundo que têm a mesma preocupação humana. Para mim, a ICORN fez isso, e isso é perfeito.

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Biografia
Ali Kalaei é conhecido jornalista iraniano, blogueiro e ativista dos direitos humanos. Desde 2005, tem escrito numerosos artigos e relatórios para vários meios de comunicação, particularmente para RoozOnline, Mellimazhabi e Gooya Notícias, bem como seus blogs Navaney1 e Navaney2.

Em seus escritos, Kalaei lida com questões sociais e políticas no Irã, em particular com as violações dos direitos humanos. Como membro da Comissão de Repórteres dos Direitos Humanos (CHRR), da Agência de Notícias dos Ativistas de Direitos Humanos e como ativista pró-democracia, Ali Kalaei escreveu peças críticas sobre o sistema iraniano de governo e sobre outras questões políticas e sociais. Ali Kalaei participou da produção de um documentário sobre as eleições gerais na República Islâmica, na época da eleição de fevereiro de 2012.

Apesar de ter deixado o Irã e ido para a Malásia, Ali Kalaei continuava escrevendo e dando entrevistas sobre a situação atual no Irã. Desde março de 2014, é um membro ativo da Peace Mark Magazine, revista on-line, social e legal, sobre direitos humanos.

Devido a seus escritos e a seu ativismo pelos direitos humanos, Ali Kalaei foi preso pelas forças de segurança do Irã, em várias ocasiões. Em 2011, o Tribunal Revolucionário de Teerã condenou Kalaei a seis anos de prisão – um ano por “fazer propaganda contra o sistema”, por meio de publicação de “relatórios falsos sobre prisioneiros” e através de entrevistas, e cinco anos por “recolher informações com a intenção de cometer crimes contra a segurança nacional”, por meio da associação de CHRR. Sua sentença, anteriormente suspensa, também foi implementada, trazendo seu prazo total de prisão para sete anos.

Para saber mais:

Journalist and blogger Ali Kalaei finds refuge in Eskilstuna
http://icorn.org/article/journalist-and-blogger-ali-kalaei-finds-refuge-eskilstuna

http://www.icorn.org/writer/ali-kalaei

Eskilstunas fristadsförfattare Ali Kalaei medverkar på Bokmässan i Göteborg
http://news.cision.com/se/eskilstuna-kommun/r/eskilstunas-fristadsforfattare-ali-kalaei-medverkar-pa-bokmassan-i-goteborg,c2085074

Página no facebook
https://www.facebook.com/ali.kalaei

 

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