Suporte aos 11 blogueiros, escritores, editores e ativistas assassinados

NailaZahin

Naila Zahin Ana é ativista social, blogueira e escritora do Bangladesh. O foco principal de seus escritos é o feminismo, os direitos LGBTQ +, a política, os direitos humanos. Foi membro ativo do protesto Shahbag, de 2013. Após o movimento, continuou seu ativismo e tem sido porta-voz dos problemas políticos e sociais de seu país. Por causa de seu trabalho, foi assediada e ameaçada, online e offline, por grupos extremistas religiosos. Após os assassinatos de muitos de seus pares, não teve escolha senão deixar seu país. Agora está vivendo em Reykjavik (Islândia), como escritora convidada da ICORN.

 

CABRA: Por que você teve que deixar seu país?

Recentemente, meu país, Bangladesh, está passando por uma mudança política. Faz parte de um movimento gigantesco, em 2013, chamado o Movimento Shahbag. Começou como um protesto contra criminosos de guerra, de 1971. Para difamar o movimento, os aliados dos criminosos de guerra (que são organizações terroristas, com vínculos com o ISIS) começaram a assassinar os manifestantes. Justificaram essa atitude, dizendo que os manifestantes são ateus e que odeiam o Islam. Bangladesh é um país majoritariamente muçulmano. Ao dizer que os manifestantes estavam cometendo blasfêmia, insuflaram a população contra nós.

Então, quando eles começaram a assassinar os blogueiros e escritores ateus, seculares, ninguém falou nada. Os terroristas também publicaram uma série de nomes que estavam em sua lista de assassinos. A lista incluía nomes de blogueiros ateus e ativistas. Esses terroristas assassinaram 11 blogueiros, escritores, editores e ativistas, desde 2013. As autoridades não conseguiram e de fato não queriam interromper os assassinatos. Quando percebemos que o governo não ia nos proteger, começamos a sair do país, um a um.

ana_naila_zahin_2CABRA: O que você está fazendo na cidade da ICORN onde você mora?

Cheguei à minha cidade da ICORN, Reykjavik, na Islândia, há apenas dois meses. Desde então, ajudei o Escritório de Direitos Humanos a organizar o dia Multicultural anual. Sou também voluntária na Cruz Vermelha local. Assisto a literatura e a arte locais e, no momento, estamos tentando organizar algumas discussões sobre minha situação e minha cultura. Também estou planejando participar da universidade, no próximo outono.

CABRA: Qual a importância da ICORN para você?

Existem mais de seis bangladeshis no programa da ICORN e mais inscrições estão no sistema. ICORN salvou todas as nossas vidas, ajudou-nos a começar novas vidas. Todos somos imensamente gratos à ICORN.

CABRA: O que você fará depois da residência na ICORN?

Meus planos depois da residência na ICORN dependem de como as coisas acontecem durante o programa. Quero continuar meus estudos. Gostaria de conseguir um emprego num lugar onde eu possa escrever sobre questões sociais e políticas. Também quero continuar meu ativismo. Quero começar a falar em público para conscientizar sobre vários problemas sociais ignorados.

 

Para saber mais sobre as atividades de Naila Zahin:

http://www.icorn.org/article/absent-author-reykjavik-naila-zahin-ana-and-sjon

https://about.me/zahinnaila

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11/06/2017

 

 

 

 

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