Bem-vindo Felix !

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Felix Kaputu chegou no dia 6 de junho de 2017. Celebra, conosco, o convênio que se assinou, em janeiro deste ano, entre a UFMG e a ICORN. É nosso primeiro escritor exilado, fundando, no Brasil, a primeira sede da CABRA – Casas Brasileiras de Refúgio.

Chegou celebrando conosco os 90 anos da UFMG. Chegou com duas malas pequenas, dois laptops e suas 13 línguas. Ávido para aprender o português e, assim, chegar a se comunicar em 14 línguas. Calmo o suficiente para esperar por essa poética aprendizagem que será iniciada pela professora e poeta Sônia Queiroz, membro do comitê de acolhimento da UFMG.

No dia 8 de junho, após uma maratona que teve que percorrer, da Polícia Federal à Receita Federal, em busca de seus documentos brasileiros, sem qualquer expressão de cansaço ou impaciência, o escritor e professor Félix Kaputu celebrava sua chegada ao novo lar. O cheiro das árvores lhe lembra o Congo, de onde saiu, exilado, há cerca de dez anos. A rua onde foi morar lhe lembra uma rua onde viveu, em Joanesville. E a paisagem lhe lembra o Zâmbia. Na foto acima ele é recebido na UFMG, por Miriam, Icaro, Felix, Sonia e Lucia.

A professora Leda Martins, diretora da DAC, abriu a reunião, dando-lhe as boas vindas e apresentando-lhe cada um dos membros do comitê de acolhimento. Em seguida, foi apresentada por Sônia Queiroz. Em ambas as apresentações, prevaleceu a poesia, aliada à memória afetiva da UFMG, nos trinta anos em que alguns de nós ali temos vivido.

Em resposta à calorosa acolhida, Félix pronunciou algumas palavras em inglês, e o afeto de uma língua era carregado pela memória ancestral das doze outras, abrindo-se ainda a uma outra – o português – da qual ele conhece poucas palavras que lhe restaram da infância e lhe foram trazidas pelos vizinhos, de Angola.

Mas não foi a palavra “saudade”, sua velha conhecida, a que mais ressoou em seu breve discurso. O que ali se ouvia era a gratidão pela solidariedade e o reconhecimento de que a ética é, de fato, a hospitalidade. Em pacto de “troca verdadeira”, Félix nos ofereceu seu desejo de trabalhar conosco: dar aulas (se pudermos, por enquanto, traduzi-las), fazer projetos, pronunciar palestras, co-laborar. Por fim, disse simplesmente: “usem-me”.

A reunião terminou numa celebração, em um restaurante nos arredores da universidade, que não poderia ter outro nome: “Único”. Antes do brinde, a comoção do garçom, por ter encontrado alguém que vinha da terra de seus ancestrais. Depois do brinde, o desejo intenso de começar a construir a ideia de uma universidade-refúgio, como um passo além da “cidade-refúgio” pensada por Derrida, nessa escola que hoje completa 90 anos. E que ela não seja, no Brasil, a única, pois muitas são as cabras ainda por nascer.

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Chegada de Felix Kaputu em BH com Miriam Jorge e Lucia Castello Branco.

 

Bienvenue à Felix Kaputu

Il est arrivé le 6 Juin 2017 pour fêter avec nous l’accord qui a été signé en janvier de cette année, entre l’UFMG (Université Fédérale du Minas Gerais) et ICORN (International Cities of Refuge Network). Il est notre premier écrivain exilé, fondateur, au Brésil, du premier siège du CABRA (CAsas BRAsileiras de Refugio – réseau de maisons-refuges au Brésil).

Il est arrivé à point nommé pour célébrer avec nous le 90e anniversaire de l’UFMG, avec deux petites valises, deux ordinateurs portables et 13 langues. Avide d’apprendre le portugais et ainsi d’arriver à communiquer en 14 langues. Suffisamment calme pour attendre cet apprentissage poétique qui sera lui sera prodigué par l’enseignante et poète Sônia Queiroz, membre du comité d’accueil de l’UFMG.

Le 8 juin, après un marathon qui l’a conduit de la police fédérale aux impôts pour obtenir ses documents brésiliens, le tout sans le moindre signe de fatigue ou d’impatience, l’écrivain et professeur Félix Kaputu a célébré son arrivée dans son nouveau foyer.

L’odeur des arbres lui rappelle le Congo, pays qu’il est parti en exil, il y a une dizaine d’années. La rue où il habite maintenant lui rappelle une rue où il a vécu à Joanesville. Et le paysage lui rappelle la Zambie.

La professeure Leda Martins, directrice de la DAC (Direction d’Action Culturelle) a ouvert la réunion en lui souhaitant la bienvenue puis lui a présenté chaque membre du comité d’accueil. Ensuite, ce fut au tour de Sônia Queiroz de le présenter au comité d’accueil. Dans les deux présentations, la poésie a prévalu, en même temps que la mémoire émotionnelle de l’UFMG, de ces trente années que certains d’entre nous y ont passé.

En réponse cet accueil chaleureux, Felix a prononcé un petit discours en anglais, et l’affect d’une langue qui était chargée de la mémoire ancestrale des douze autres, s’ouvrant encore à une autre langue, le portugais, dont il connaît peu de mots qui remontaient à son enfance, apportés par ses voisins angolais.

Mais ce ne fut pas le mot « saudade », sa vieille connaissance, qui a résonné le plus dans son bref discours. Il y était plutôt question de gratitude pour la solidarité et de reconnaissance que l’éthique est, en fait, l’hospitalité. En terme de pacte d’«échange réel», Félix nous a offert son désir de travailler avec nous: dispenser des cours (si nous pouvons, pour l’instant, les traduire), faire des projets, prononcer des conférences, en un mot, coopérer. Enfin, il dit simplement, «Profitez de ma présence».

La réunion a pris fin avec une petite commémoration dans un restaurant près de l’université, qui ne pouvait mieux porter son nom: «Unique». Et avant le toast de bienvenue, l’émotion du garçon du restaurant de se trouver en présence de quelqu’un qui venait de la terre de ses ancêtres. Après le toast, le désir intense de commencer à construire l’idée d’une univer-cité-refuge, comme une étape allant au-delà du concept de la «cité-refuge» pensée par Derrida, dans cette école qui fête cette année ses 90 ans. Et qu’elle ne reste pas, au Brésil, l’unique, parce qu’il y a encore beaucoup de «cabras» à naître.

 

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